quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poema de Mario Quintana

                Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

                                                  Mario Quintana

sábado, 2 de outubro de 2010

                    Livros e flores      
                 (Machado de Assis)
                                               
Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?
                             
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?
*********************************************




                 O buraco do tatu
                                   (Sérgio Caparelli)


O tatu cava um buraco
À procura de uma lebre,
Quando sai pra se coçar,
Já está em Porto Alegre.


O tatu cava um buraco,
E fura a terra com gana,
Quando sai pra respirar,
Já está em Copacabana.


O tatu cava um buraco
E retira a terra aos montes,
Quando sai pra beber água,
Já está em Belo Horizonte.


O tatu cava um buraco,
Dia e noite, noite e dia,
Quando sai pra descansar,
Já está lá na Bahia.


O tatu cava um buraco,
Tira terra, muita terra,
Quando sai por falta de ar,
Já está na Inglaterra.


O tatu cava um buraco
E some dentro do chão,
Quando sai para respirar,
Já está lá no Japão.


O tatu cava um buraco.
Com as garras muito fortes,
Quando quer se refrescar,
Já está lá no Polo Norte.


O tatu cava um buraco,
Um buraco muito fundo,
Quando sai pra descansar,
Já está lá no fim do mundo.


O tatu cava um buraco,
Perde o fôlego, geme, sua,
Quando quer voltar atrás,
Leva um susto, está na Lua.
***********************************************




Milagre no Corcovado
                        (Ângela Leite de Souza)


Todas as noites
de céu nublado
no Corcovado
faz seu milagre
o Redentor:
fica pousado
no algodão-doce
iluminado
como se fosse de isopor.


Mas todos sabem
que bem de perto
esse Jesus
é um gigante
de mais de mil
e cem toneladas...
Suba de trem,
vá pela estrada,
quem chega lá,
ao pé do Cristo,
vira mosquito.


E olhando em volta
para a cidade
de ponta a ponta
maravilhosa
a gente sente
um arrepio:
o milagre
é o próprio Rio!
*******************************************************

Cidadezinha
              (Mário Quintana)


Cidadezinha cheia de graça...
Tão pequenina que até causa dó!
Com seus burricos a pastar na praça...
Sua igrejinha de uma torre só...


Nuvens que venham, nuvens e asas,
Não param nunca nem um segundo...
E fica a torre, sobre as velhas casas,
Fica cismado como é vasto o mundo!...


Eu que de longe venho perdido,
Sem pouso fixo [a triste sina!]
Ah, quem me dera ter lá nascido!


Lá toda a vida poder morar!
Cidadezinha... Tão pequenina
Que toda cabe num só olhar...
***************************************************

Pássaro livre
****************
Sidônio Muralha




Gaiola aberta.
Aberta a janela.
O pássaro desperta,
A vida é bela.


A vida é bela.
A vida é boa.


Voa, pássaro, voa.
***************************************************

As Marias do meu lugar
                          (Carlos Victor Dantas Araújo*)
                                      
I
Minha terra é pequenina
Fica aqui no Ceará
No Vale do Jaguaribe
Alto Santo aqui está
No Comando das Marias
Que progride esse lugar
                                
II
Tem Maria sertaneja
Valente feito um trovão
Daquela que desde cedo
Faz o cultivo do chão
E a Maria tratorista
Que ajuda na plantação
                                
III
Tem Maria lá na Câmara
Que é a vereadora
Tem Maria que cedinho
Limpa a rua com a vassoura
Tem aquela que ensina
A Maria professora
                                
IV
A Maria forrozeira
Rodeia feito pião
Tem a Maria louceira
Transforma o barro com a mão
E a Maria morena
Com corpo de violão
                               
V
Maria que no mercado
Vende o quente e o frio
E a Maria lavadeira
Faz espuma lá no rio
E a Maria açougueira
Com a faca faz desafio
                                  
VI
Maria no hospital
a Maria enfermeira
Lá na fábrica de tecidos
a Maria costureira
E aqui na minha casa
A Maria verdadeira
                              
VII
Lá no altar da igreja
Maria diz o amém
Implora ao padroeiro
Para todos viver bem
A mãe do Menino Deus
Que é Maria diz também
                                      
VIII
Ah! Se em todo lugar tivesse
Assim tantas alegrias
E que fosse como meu
Nessa paz do dia a dia
Que faz o calor do sol
Dar força a essas Marias.
                                          
                                           
*Aluno finalista da 1ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro em 2008, 6º ano da E.M.E.F. Urcesina Moura Cantídio, Alto Santo - CE.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

       A Palavra Mágica     

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

                                           Carlos Drummond de Andrade

domingo, 26 de setembro de 2010

NOSSOS POEMAS...

Produções de poemas da sequência didática da página intitulada "NOSSOS ALUNOS POETAS..."

O POEMA

O poema é como uma comida,
é delicioso de se provar
e gostoso de se fazer.
Poemas são coisas preciosas
e, às vezes, rigorosas
por serem exigentes
e por falarem da gente.

(Jhonatan Marcelo A. Cunha - 6º ano)



POEMA

Os poemas voam de mãos em maõs
uns os leem, outros não,
porque aqueles se interessam
e esses não.
Tem gente que gosta de poema
igual ao seu time de coração.

(Emerson Diovani - 6º ano)



PARA FINS

Para o livro, um poema.
Para a nossa vida, um dilema.
Para a escrita, um tema.
Para o fim de semana, a praia de Ipanema.
Para mim, apenas uma noite no cinema.

(Carlos Eduardo dos Santos - 8º ano)


O LIVRO

O livro é um rio
vai descendo as ladeiras
até encontrar-se com o mar.
O mar é um riso
e riso é alegria
e sem ela eu não viveria.
A alegria está na sabedoria,
e sabedoria eu só encontro
em um livro já apreciado
e em um amigo estimado.

(Carolaine da Silva Delfino - 6º ano)


PARA FINS - II

Para a diversão, uma atração.
Para o caminhoneiro, um caminhão.
Para o amor, uma paixão.
Para você, meu coração.
Para o poema, uma impressão.

(José Luiz N. - 8º ano)


SEMPRE COM VOCÊ

Queria ser estrela
mas estrela não posso ser
estrela fica no céu
e eu estou entre páginas
pois um poema eu sou
mas um dia, se você quiser,
basta me ler
para que eu ganhe vida
e fique sempre com você.

(Meliane Gabriele dos Santos - 6º ano)


POEMAS

O poema do meu amor, me lembro com tanta dor
o poema da minha vida, me lembro com tanta ferida
o poema do meu coração, me lembra a primeira paixão
então, voo como um avião.

(Bruno - 6º ano)





POEMA DA TURMA...

POEMA DA TURMA

COISINHAS À TOA QUE NOS DEIXAM FELIZES

Briga de travesseiro, brincar de cobra-cega, falso ou verdadeiro.
Assistir aos "Caras de pau", e também o "Pica-Pau", imaginar nosso presente de Natal.
Assistir a filmes com a luz apagada, ver o céu numa noite estrelada, descer pelo corrimão da escada.
Comer banana na varanda, bolo de chocolate da vovó Amanda, ou quem sabe da vovó Ana.
Andar com os pés no chão, comer açúcar com mamão, ouvir histórias de Sultão.
Escrever poemas de verdade, mostrar a nossa realidade, quando estamos na melhor idade.
Ouvir música da nossa banda preferida, estudar com uma professora querida, aproveitar a viagem sem pensar na partida.

Produção dos alunos participantes do Projeto Ciranda Literária.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

É hora de poesia...

Antes, muito antes de futebol, inventaram a bola. Podia ser uma cebola ou qualquer coisa que rola.
(Ricardo Silvertrin - em "É tudo invenção")



O avestruz engole tudo:
moeda, tampa, botão...
É uma ave que não voa,
mas corre como um rojão!

O macaco é engraçado,
das bananas já deu cabo
e fugindo pelos galhos
se pendura pelo rabo.
(De Avestruz a Zebra - de Maiti Frank Carril)




Professora:
-Roberto, conjugue o verbo ir no presente.
-Eu... vou, tu...vais, ele...vai...
-Mais rápido, mais rápido!
-Nós corremos, vós correis, eles correm!
(Almanaque Ruth Rocha)




Não há distância para os pássaros nem para quem cisma de ousar.
Alberto pôs na cabeça que ia conseguir voar.
Voou, dirigiu seu vôo, era isso o avião!
E desde então a lonjura não atrapalhou mais, não.
(Abrindo caminho - de Ana Maria Machado)




Não há nada mais bonito
que inventar em liberdade
e só tem a vida alegre
quem sabe dessa verdade.
(A fada que tinha ideias - de Fernanda Lopes de Almeida)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

NOSSOS ALUNOS...NOSSOS POETAS

A GRALHA AZUL

a gralha azul     a gralha azul
a gralha azul     a gralha azul     tão azul
a gralha azul     a gralha azul     tão azul    da cor do céu
a gralha azul     a gralha azul     tão azul    da cor do céu      do céu azul
a gralha azul     a gralha azul     tão azul    da cor do céu      do céu azul    azul.

Aluno: Edmilson (8º ano)







BOLHA

Azul bolha
bolha azul
olha a bolha
no galho azul.
Aluna: Carolaine (6º ano)







CLARO

O dia é claro
igual a clara do ovo
o ovo é claro igual
a uma nuvem de cristal.
Aluno: Amarildo (8º ano)






FIGUEIRA

Figueira é uma cidade
mas não parece verdade
é tão pequena, fora da realidade.
Aluna: Meliane (6º ano)







AONDE VAI

Aonde vou
vou andar
em qualquer lugar.
Aonde vou, ainda não sei
mas digo que vou andar
vou andar para qualquer lugar
chova ou não chova
a única coisa que eu sei
é que vou andar
por aí.
Aluno: Emerson (6º ano)







A VIAGEM

Quando te vejo
desperta o desejo
de não se importar
na hora de chegar
e ir viajar.
Aluna: Lucilene (8º ano)







O CANAVIAL


Subi num pé de cana
desci de goma em goma
não te quero por um dia
não te quero por um ano
te quero para a vida inteira.
Aluno: Marcelo Augusto (9º ano)







A TOALHA

Olha a toalha pendurada na calha
a toalha no banheiro
debaixo do chuveiro
A toalha amarela da cor da panela
a toalha do Sol da cor do farol
a toalha da Lua da cor da agulha.
Aluno: Bruno Pedroso (6º ano)







NO JARDIM

Quando eu vou ao jardim
o dia parece não ter fim.
Quando cheda a tarde, vou embora a fim
de no outro dia, bem cedo, voltar para meu jardim.
Aluno: Gedeone (8º ano)






O ASSOVIO

Estava no Rio
vi o Raul Gil.
Lá enchi im belo baril
lá, estava eu e meu tio
de longe ouvi um belo assovio.
Aluno: José Luiz (8º ano)









PARA O AMOR DA VIDA

Quando te vi
nunca mais te esqueci
quando te vejo
me desperta um desejo.
Aluno: Éder (7º ano)






A LUA E VOCÊ

Amo a lua
amo o luar
amo você
em primeiro lugar.
Aluno: Marcos Felipe (8º ano)